Síndrome da apnéia do sono e o coração

30/07/2021

Apneia Obstrutiva do Sono (AOS), é uma doença respiratória caracterizada por interrupções

breves e repetidas da respiração (com duração de pelo menos 10 segundos, em uma
frequência maior que 5 eventos por hora de sono). Não se trata de um simples ronco, pois
além dos ruídos traz micro despertares seguidos de engasgos. E assim como no ronco, muitas
vezes a pessoa nem percebe o que está acontecendo. Entre os problemas que a apneia
apresenta, está o fato de diminuir a concentração de oxigênio no sangue. Com isso, o ritmo
dos batimentos cardíacos é elevado, estimulando a contração dos vasos sanguíneos, o que
torna o problema um fator de risco para pressão alta e arritmia cardíaca. Segundo dados do
Ministério da Saúde, cerca de 50% da população brasileira se queixa de sono ruim, e
aproximadamente 30% da população adulta sofre de apneia do sono. A maior parte dos
pacientes, entre 85% e 90%, convive com a doença sem receber o diagnóstico e continua sem
tratamento.
Existem três tipos principais de apneia do sono:
1- Apneia Obstrutiva do Sono (AOS): é o tipo mais comum de apneia do sono.
Caracterizada pela obstrução das vias aéreas superiores durante o sono, normalmente
acompanhada de ronco alto e frequente e redução da saturação de oxigênio no
sangue, seguida de um breve despertar para respirar. Quando isso acontece, o
paciente pode roncar ainda mais alto ou causar ruídos sufocantes enquanto tenta
respirar. Nesse tipo de apneia do sono, a principal causa é a obstrução do canal
respiratório. Situações como obesidade, aumento das amígdalas, circunferência do
pescoço e alterações craniofaciais, podem levar ao desenvolvimento da doença.
2- Apneia central do sono (ACS): Esse tipo de apneia ocorre por uma falha na
comunicação entre o cérebro e as vias aéreas. Nesses casos, os músculos responsáveis
pela respiração não recebem o sinal de que devem funcionar e, por isso, continuam
estáticos. O que ocorre, então, não é uma obstrução da respiração, mas sim as vias
aéreas que nem tentam respirar, por não receberem o comando para tal. Geralmente,
é causada por doenças neurológicas, como mal de Alzheimer, Parkinson, esclerose
lateral amiotrófica, além de danos ao cérebro como os causados por encefalite,
acidente vascular cerebral, lesões, entre outros. Esse tipo pode também estar
conectado a problemas cardiovasculares, hipotireoidismo, insuficiência renal e o uso
de alguns medicamentos.
3- Apneia mista do sono: É o terceiro tipo, é uma combinação de fatores centrais e
obstrutivos que ocorrem no mesmo episódio de apneia do sono. É o tipo menos
comum de apneia do sono.
Quem sofre com a doença, tem sua qualidade de vida muito diminuída, pois a má qualidade do
sono faz com que a pessoa se sinta muito cansada e pouco produtiva durante o dia. Os
homens, são em geral, duas vezes mais propensos a desenvolver a doença do que as mulheres,
e a partir dos 50 anos o risco é ainda maior. Já as mulheres pós menopausas equiparam aos
homens na propensão à doença.
Para diagnosticar a doença, além do relato das pessoas que convivem com os portadores da
apneia obstrutiva do sono e avaliação médica, são necessários exames complementares para
mapear o comportamento respiratório durante o sono.
O sono é essencial para qualquer pessoa. No período em que dormimos, nosso corpo
descansa e recarrega as energias para poder conseguir enfrentar com força o dia
seguinte.
A falta de sono cria uma situação de estresse crônico, onde descargas de sinalizadores
semelhantes à adrenalina fazem taquicardia como resposta à falta de oxigênio causada
na apneia do sono. Os microdespertares noturnos e os períodos de falta de oxigênio
causam aumento da pressão arterial, sendo fator de risco para a saúde do coração.
O distúrbio do sono afeta diretamente o funcionamento do coração. A desordem
causada no órgão pode desenvolver doenças cardíacas como a aterosclerose,
hipertensão arterial, infarto, insuficiência cardíaca, arritmias e entre outras.


Dr. André Brandão, Cardiologista Titulado pela SBC(Sociedade Brasileira de
Cardiologia) e pós graduado em Medicina do Sono com ênfase em Distúrbio
Respiratório do Sono, pode esclarecer suas dúvidas!