Renda Fixa: especialista explica onde os ricos têm investido no Brasil

05/08/2022

Maria Goretti Quadros, head da Aspen Investimentos, explica que a taxa Selic é um dos fatores que influenciaram a mudança de perfil de investimentos

Levantamento realizado pela Smartbrain revelou que a migração para os investimentos em renda fixa se manteve em alta durante o mês de junho, especialmente entre os mais ricos. A pesquisa analisou mais de 340 mil extratos de investimentos e R$ 250 bilhões em alocação de carteiras de investidores do segmento do varejo, alta renda (com até R$ 300 mil investidos), private (com mais de R$ 3 milhões investidos) e ultra high (com mais de R$ 30 milhões investidos)e foi observado que os fundos de multimercados liberava o ranking com 39,87%, seguido da renda fixa que passou de 36,47% em maio para 36,92% em junho.
"A taxa Selic acima de 13% ao ano contribuiu para tornar os papéis de títulos de renda fixa mais atrativos. Eles são uma excelente opção para diversificar a carteira de investimentos, são seguros e contribuem para amenizar os riscos da carteira de aplicação. Quem investe num IPCA+ pode alcançar uma valorização de até 40%, a depender da taxa em que foi adquirido o título", aponta Maria Goretti Quadros, head da Aspen Investimentos.
Avaliando o resultado da pesquisa que revelou a tendência de aumento das aplicações em renda fixa entre os mais ricos seguem o movimento do mercado de alta de juros. "A renda fixa é a modalidade de investimento mais procurada pelos investidores que procuram rendimentos mais estáveis e segurança. É o primeiro tipo de investimento que deve ser feito caso o investidor não tenha nenhuma reserva de emergência, por exemplo. Atualmente o movimento de migração para as oportunidades em Renda Fixa se deve exatamente a sequência de altas na taxa de juros básica da economia no Brasil", aponta.
Maria Goretti explica que existem diversas modalidades dentro do portfólio de produtos em Renda Fixa, desde os mais tradicionais como CDB e aqueles com isenção de imposto de renda, exemplo de LCI, LCA; algumas debêntures emitidas por grandes companhias. "Tem ainda a opção por títulos públicos federais. Estes possuem carência e risco de perda se houver saída antes do seus prazos de vigência, uma vez que são papéis muito sensíveis a algumas oscilações de mercado, principalmente analisando a curva de juros. Por isso, é tão importante ter um planejamento financeiro e de carteira de investimentos adequado, entender perfil e horizontes de prazos para uso dos recursos pelo investidor", finaliza.
Para quem está iniciando

A expert destaca que para quem está começando a investir ou tem poucos recursos disponíveis, a renda fixa também se mostra como uma excelente oportunidade de fazer o dinheiro render mais. "Na poupança, além dos juros baixíssimos, os recursos só começam ter alguma rentabilidade a partir de seu aniversário, além de, no momento, não garantirem manutenção do poder de compra do investidor, diante do patamar atual de inflação que o país vivencia", comenta. Foto de Larissa Dias.