Por prescrição ou por automedicação, continua alta a procura por ivermectina

28/04/2021

A ivermectina foi, sem dúvidas, o medicamento mais procurado nas farmácias no último ano. E a nova onda do COVID-19 provocou mais um boom nas vendas do medicamento nos últimos dois meses. Segundo o farmacêutico Márcio Mendes Mello, da Pharmapele Vila Velha, chegou a esgotar o estoque e foi necessário pedir nova remessa. "Mesmo sem eficácia comprovada e defendida por alguns médicos e contraindicada por outros, só se sabe que muita gente tem aderido ao uso e a maioria chega na farmácia pedindo a manipulação para a família toda", conta ele.

Para quem não sabe, a Ivermectina é um fármaco usado no tratamento de vários tipos de infestações por parasitas. Entre elas estão a infestação por piolhos, sarna, oncocercose, estrongiloidíase, tricuríase, ascaridíase e filaríase linfática.

Com a pandemia, desde o ano passado, o medicamento passou a ser usado como possível tratamento precoce para o COVID-19 mesmo não sendo reconhecido ou contraindicado por diversas entidades, como Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), já que não existem evidências suficientes que comprovem a eficácia dessas substâncias contra a doença.

O farmacêutico explica que o medo das pessoas em contrair o vírus levou ao uso desenfreado não só da ivermectina como também de diversos outros medicamentos em altas dosagens como vitamina D, zinco, e outros suplementos. "Foram surgindo muitas suposições sobre como manter a imunidade alta e que isso era essencial para não pegar COVID, e por isso muitas pessoas fizeram uso desses medicamentos sem receita médica ou qualquer orientação de um profissional da saúde", explica ele.

Surgiu então o KIT COVID, adotado por algumas governanças, autoridades da saúde, como sendo essencial no combate do vírus e que continha a ivermectina. A questão é que mesmo sem sintomas ou orientação médica, muita gente passou a tomar o kit também por conta própria. Foi e continua sendo para muitos uma corrida para a prevenção da doença.

Mas o alerta permanece: a automedicação é um risco. "A ingestão de medicamentos deve ser orientada e acompanhada por um profissional da saúde, pois cada medicamento é indicado seu uso de acordo com a idade, peso, e outras especificidades de cada pessoa. O falso 'excesso de cuidado' é um erro e também pode levar a ter outros problemas de saúde e até matar", complementa o farmacêutico.