Pior dor do mundo: especialista orienta sobre neuralgia do trigêmeo

12/04/2021

Síndrome costuma aparecer em pessoas maiores de 40 anos

Imagine conviver com uma dor crônica mais intensa que a de cólica renal e de trabalho de parto? Essa é a difícil realidade dos pacientes com neuralgia do trigêmeo (NT), síndrome rara que acomete 25 a cada 100 mil pessoas. O nervo trigêmeo é o responsável por controlar a sensibilidade da face e possui ramificações nos olhos, maxilar e mandíbula. O médico especialista em dor crônica André Félix explica que as crises de dor na face geralmente duram de segundos a alguns minutos.

"A neuralgia do trigêmeo é caracterizada por uma dor lancinante. A causa pode estar relacionada a uma artéria que comprime o nervo trigêmeo, mas também a lesões por conta de tumores; infecções virais, como herpes zoster. A NT compromete muito a qualidade de vida do paciente, haja vista que os gatilhos para a dor são atividades do cotidiano como falar, mastigar, escovar os dentes, fazer a barba, coçar o rosto e até sorrir", enumera.

A NT tem como principal sintoma a dor aguda, intensa, tipo choque ou pontadas penetrantes no rosto. O especialista em dor crônica comenta que a dor geralmente acontece de um dos lados da face, podendo atingir um ou mais dos três ramos do nervo trigêmeo que inervam a parte inferior do rosto na região da mandíbula, ou a maçã do rosto, ou a região ao redor do olho.

Noventa e sete por cento dos portadores da doença disseram que a dor da NT afetou muito/terrivelmente a qualidade de vida, segundo dados divulgados pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). André reforça a importância de uma anamnese para o diagnóstico da doença. "O diagnóstico leva em consideração a história clínica do paciente e também a realização de exame físico. A primeira opção de tratamento é sempre a via medicamentosa para controle da dor", comenta.

O médico explica que, caso os remédios não controlem as crises de dor ou tenham efeitos colaterais intoleráveis, é possível aderir a outras vias terapêuticas como os bloqueios. "Estamos falando de uma doença crônica, por isso, alguns pacientes podem voltar a piorar com o passar do tempo", esclarece.