Mulheres empreendem e podem fazer economia avançar

25/07/2019

Potencial já é percebido em diversos setores, mas ainda é preciso um incentivo maior para gerar confiança neste público

Sexo frágil é coisa do passado. O que as mulheres querem mesmo é inovar e se lançar no mercado como empreendedoras. Um levantamento do Instituto Avon, em parceria com a Oxford Economics, mostrou que elas ainda não se sentem encorajadas para empreender, o que limita o potencial de crescimento dessas mulheres em 50%. Mesmo assim, elas se mostram muito bem-sucedidas, quando resolvem se arriscar e trazer inovações em diversos setores.

No Espírito Santo, por exemplo - de acordo com um dado divulgado pela Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes) - há cerca de 204 mil microempreendedores individuais, sendo que 100.830 são mulheres. Este dado corresponde a 49% do número total de empreendedores no estado. Por isso, o incentivo e a capacitação deste público, se mostra tão importante para a retomada da economia.

Um exemplo dentro deste universo de mulheres que se lançam em um projeto inovador, são as empresárias Juliana Pires, de 33 anos, e Caroline Weiler, de 41 anos. Farmacêutica e dentista, respectivamente, elas resolveram investir numa sociedade, após quatro anos de amizade, apostando num conceito de serviço já aplicado em São Paulo, mas ainda pouco explorado no Espírito Santo.

Juliana e Carol lançaram a primeira unidade da Casa Coach, fora da capital paulista, oferecendo o serviço de recrutamento, seleção e treinamento personalizado de profissionais com atuação no dia-a-dia doméstico, como: empregadas domésticas e babás. Ou seja, além do desafio de se lançar no empreendedorismo, elas ainda tiveram que mudar a área de atuação.

"Estou muito feliz com a área de atuação que escolhemos para a empresa. Foi algo planejado, principalmente depois que as crianças cresceram um pouquinho, e me deixou muito realizada profissionalmente, em especial, pela parceria que estabelecemos", conta Caroline, mãe de Miguel e Lara, de 5 e 9 anos, respectivamente.

Já para Juliana - mãe da pequena Manuela, de 1 ano - a coragem para entrar em uma nova área de atuação surgiu com a maternidade. "Apesar de ser um volume de trabalho maior, a flexibilidade no horário é algo muito atrativo, principalmente, quando se tem uma bebê", pontua.

Desafio de empreender na própria área

A médica veterinária Manoela Pimentel, formou-se em 2002 e desde então já atuava no acompanhamento do atendimento de animais, no hospital veterinário da UVV, como estudante. Posteriormente, continuou atuando no interior de Minas Gerais e depois retornou ao trabalho em consultórios de Vitória. E desde 2009, ela assumiu um novo desafio na sua carreira com a criação do Pet Center Mata da Praia, em Vitória.

"Eu já trabalhava no Pet Center, antes de ser a proprietária. Então, quando o antigo administrador resolveu vender, assumi o negócio e encarei o desafio. Depois de um tempo, fiz um MBA de Gestão Empresarial e entendi que deveria crescer na oferta de produtos e serviços ou o 'mercado me engolia'", conta.

Com a visão empreendedora, chegou também um acúmulo de funções como empresária e veterinária. "Esta é a parte mais difícil para mim: abrir mão da minha formação para mergulhar na parte administrativa que o negócio exige. Mesmo assim, não consigo me desligar por completo. Então, mesmo tendo uma veterinária no consultório, acompanho de perto todos os casos e, inclusive, discutimos e analisamos juntas alguns tratamentos sempre na tentativa de elevar a qualidade do trabalho", diz.

Foto de  Camila Baptistim e Edgard Ramos.