Mudanças hormonais aumentam risco de gengivite na gravidez

09/05/2022

Inflamação afeta entre 60% a 70% das gestantes, alerta a ortodontista Catarina Riva

Segundo o Ministério da Saúde, em 2021 foram registradas no país cerca de 3 milhões de gestantes. Essa fase gera muitas mudanças corporais e hormonais para as mulheres, afetando a saúde bucal das gestantes. Pesquisa publicada em 2020 pela Revista Ciência Plural apurou que 70% das gestantes possuem higiene bucal insatisfatória, mostrando-se deficientes quanto aos aspectos preventivos da saúde oral e sua relação com a gestação.


Segundo a ortodontista Catarina Riva, a falta de cuidados com a saúde bucal, pode provocar diversos problemas, como a gengivite gravídica. O quadro trata-se de uma inflamação na gengiva bastante comum, que afeta entre 60%a 70% das gestantes, porém se não tratada, pode acarretar em maiores transtornos. "Sabemos que durante a gestação ocorre o aumento do hormônio progesterona, que pode contribuir com o aumento do fluxo sanguíneo nos tecidos gengivais. Com isso, a região fica mais inchada e suscetível a sangramentos. Esse período de mudanças também pode facilitar o crescimento de algumas bactérias que causam a gengivite", explica a especialista.


Vale destacar que a doença deixa as gengivas extremamente sensíveis, é caracterizada pela inflamação e sangramento das gengivas durante a escovação dos dentes ou durante a mastigação, as gengivas ficam inchadas e vermelhas, fato que pode estar relacionado a deficiências nutricionais e a altos níveis hormonais.
A principal questão envolvendo a gengivite é que uma simples escovação pode levar a uma sensibilidade intensa, causando muito desconforto. De acordo com a ortodontista, a melhor forma de evitar o problema é a precaução "Cuidados básicos como higiene correta e uso do fio dental podem evitar que o transtorno apareça. Mas é importante lembrar que a causa da gengivite gravídica pode ser tanto pela má escovação e acúmulo de placa bacteriana ou por conta de alterações hormonais. Esse diagnóstico deve ser feito pelo dentista", afirma.


Em relação ao tratamento da doença, este consiste em combater ou reduzir a inflamação gengival até que haja uma regressão por completo do quadro. "Primeiro fazemos a limpeza, que tem como objetivo retirar todo o tártaro existente. Caso ainda haja necessidade de algo mais profundo, optamos por uma raspagem. O maior problema da gengivite é que ela pode evoluir para uma periodontite e essa requer o uso de antibióticos e anti-inflamatórios, medicamentos contraindicados para gestantes, pois eles podem prejudicar o bebê", explica Catarina. A especialista enfatiza que o melhor remédio para a gengivite é a prevenção, o que inclui visitas periódicas ao dentista.