Inovar é a palavra de sobrevivência para comerciantes

14/04/2020

Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima. Passado o impacto inicial da crise, causada pelo novo coronavírus, é hora do comércio se reerguer

Caixa vazio com muitos pagamentos para serem feitos. Essa tem sido uma difícil realidade enfrentada pelos empresários, que pensam em diferentes estratégias para tentar superar esse momento de fechamento dos comércios no Espírito Santo, que não são essenciais ou que geram aglomerações, para evitar a propagação do novo coronavírus (Covid-19).

A designer de consumo Bruna Guio - especialista em trabalhos para desenvolvimento e estudo de marcas - acredita que o momento é de análise se novas possibilidades de vendas, como o mercado online, por exemplo. "Do pequeno ao grande empresário, a saída é investir no e-commerce e no atendimento cada vez mais personalizado, entendendo o desejo do consumidor e buscando formas de proporcionar uma experiência de compra bem agradável para fidelizar este cliente", orienta.

De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, entre 24 de fevereiro e 18 de março, as vendas online cresceram 30%, sendo 13 milhões de pedidos neste período. Em alguns segmentos o aumento foi maior, como o de beleza e perfumaria, com crescimento de 57% nas vendas, impulsionado principalmente pela compra de sabonetes. Os produtos de saúde também subiram, alcançando 65% de aumento neste formato de compra.

"As pessoas precisam se sentir seguras neste momento para que estas compras sejam efetuadas. Afinal, para muita gente este é um novo ambiente e sabemos também dos riscos existentes. Por isso, é preciso usar uma comunicação clara, objetiva e também cativante, buscando entender as características do consumidor e oferecer exatamente o que pode ser mais atrativo para a maioria deles", indica.

Muitas empresas, que tiveram que fechar, migraram para o e-commerce, como um canal alternativo de fonte de receita. A Associação Brasileira de Comércio Eletrônico teve uma alta nos pedidos de empresários para criar negócios na internet, de 15 para 150 por dia. Mas, nenhum segmento vendeu mais neste meio do que o de alimentos. As vendas online deste setor saltaram mais de 100% em duas semanas.

"Além da grande necessidade de consumo destes produtos, esse tipo de comércio também já estava parcialmente inserido no meio online. Agora, o que houve foi uma adaptação forçada para quem ainda lutava contra a força do digital, que pode ter vindo para ficar, neste e em todos os outros segmentos. Estamos sendo forçados a evoluir nas compras por e-commerce, e se os comerciantes desta área souberem aproveitar e se renovar com esta tendência do mercado, eles poderão conquistar espaço, até mesmo para seguir se mantendo após a crise. Afinal, há uma expectativa também em relação a uma mudança no comportamento do consumidor, mesmo após esta crise", analisa.

Adaptação dos serviços para levar qualidade

Desde as determinações do governo do estado, modificando o funcionamento dos estabelecimentos, a Figata 'Pizza & Birra' fez algumas adaptações nos seus atendimentos, buscando uma qualidade maior no serviço e, como consequência, tentar evitar a queda no faturamento. Por isso, o empresário Tiago Bertolo reforçou a equipe de delivery.

"Nós já contávamos com uma estrutura nesta parte, mas devido ao momento, estamos reforçando os processos internos e ampliando os produtos disponíveis, focando agora na experiência de entrega e consumo dos produtos em casa pelo cliente. Até agora, tivemos um retorno positivo no fluxo dos clientes que já estavam conosco e também de novos clientes. Porém, a realidade de faturamento é muito inferior daquele com um fluxo normal das casas abertas", pontua Tiago, que está com sua loja recém-inaugurada no Shopping Vitória fechada e, com isso, centralizou os atendimentos na unidade da Praia do Canto, em Vitória.