Em alta: fundos atrelados à inflação estão mais atrativos

15/06/2021

A aceleração de preços que vem sendo observada nos últimos meses, aliada à taxa Selic, acende um alerta na carteira dos investidores

Fazer um investimento e, no final, sair com um valor menor do que o aplicado inicialmente ou não ter um lucro conforme planejado. Pensando nisso, o aumento da inflação liga uma luz de atenção entre os investidores brasileiros, que agora precisam se preocupar em evitar que a alta dos preços corroa os seus rendimentos. O cuidado se fortalece com as taxas de inflação em 2,37% no ano e de 6,76% em 12 meses - segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já a taxa Selic teve a sua segunda alta consecutiva de 0,75 pontos percentuais e está em 3,5% ao ano.

De acordo com o assessor de investimentos, Pedro Mutzig, diante de uma situação assim é muito importante ter ao menos uma parte da carteira reservada aos ativos que ofereçam retornos reais, isto é, acima da inflação. "Essas alternativas podem ser encontradas tanto em aplicações de renda fixa, como títulos públicos, fundos de investimento e debêntures, quanto de renda variável, via fundos imobiliários", comenta.

Por isso, o especialista destaca a importância de conhecer como as aplicações financeiras remuneram, quais são seus principais riscos e os custos envolvidos antes de concretizar a escolha. "Uma saída para buscar retornos que batam pelo menos a inflação são os fundos de renda fixa. Eles perseguem a rentabilidade (usam como benchmark) da 'família' IMA-B, que é um conjunto de índices formados pelos títulos públicos que pagam juros mais a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é considerado o principal índice para medir a inflação do Brasil", orienta.

De olho na aceleração da inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que subiu 2,68% na primeira prévia de maio - após ter aumentado 0,50% na primeira prévia de abril, conforme apurou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) - Pedro Mutzig alerta que os fundos que usam como referência o IMA-B 5 são os mais adequados para o investidor que busca rentabilidade acompanhando a alta da inflação.

"Esta modalidade tem movimentos mais suaves e o que impacta mais no retorno é a taxa de juros nos vencimentos mais longos, enquanto nos curtos o que define é o IPCA de fato. Neste ano, o IMA-B 5, que acompanha os títulos indexados à inflação com vencimento em até 5 anos, acumula alta de 5,61%", afirma.

Opções de investimentos atrelados à inflação

Para ajudar a proteger o seu capital da alta da inflação, conheça cinco opções de aplicações financeiras, que são mais indicadas pelo especialista para este tipo de situação.

Títulos públicos

São papéis emitidos pelo Tesouro Nacional, que representam uma forma de financiar a dívida pública e permitem que os investidores "emprestem" dinheiro para o governo, recebendo em troca uma determinada rentabilidade.

Uma das aplicações mais acessíveis para proteger o poder de compra do investidor ao longo do tempo recai sobre títulos públicos do tipo Tesouro IPCA+, com ou sem pagamento de bônus semestrais.

Esse é um papel que combina uma parte de retorno prefixado, definido no momento da compra do papel, e o restante indexado à inflação, medida pelo IPCA. No caso do pagamento de cupom, o investidor recebe o retorno antecipadamente, duas vezes ao ano.

Fundos de inflação

Enquanto nos títulos públicos o investidor escolhe sozinho quais ativos vão compor seu portfólio, nos fundos de inflação, é o gestor que determina quais papéis e vencimentos farão parte da seleção.

Nesses fundos, a carteira é composta por uma cesta de títulos públicos indexados ao IPCA, que tem como objetivo superar um índice, normalmente o "IMA-B" ou o "IMA-B 5", com prazo de até cinco anos, ou "IMA-B 5+", com vencimentos dos papéis iguais ou acima de cinco anos.

Pedro Mutzig analisa que esta é uma boa opção para o pequeno investidor que pode precisar resgatar o montante investido antes do prazo estipulado pelo Tesouro.

ETFs de renda fixa

A sigla em inglês para Exchange-Traded Funds trata-se de fundo que replica índices de renda fixa e é negociado em bolsa de valores como IMAB11, IB5M11 e o B5P211. Todos esses exemplos possuem títulos de Tesouro IPCA+, que garantem pagamento de juros mais a inflação do período. No caso ETF de renda fixa de títulos públicos, há uma situação híbrida: ele é renda fixa, mas é negociado como renda variável.

Este tipo de aplicação replica o desempenho de índices que acompanham títulos públicos e privados prefixados ou atrelados à inflação. Estão ganhando cada vez mais espaço no mercado financeiro. Os ETFs têm tributação menor a curto prazo e isenção de IOF.

Debêntures

Nos produtos de crédito privado, as debêntures com retorno atrelado ao IPCA também são interessantes para compor o portfólio e proteger o capital do aumento da inflação. Diferentemente dos títulos públicos, em que os papéis financiam o governo federal, na compra de uma debênture, o investidor está emprestando dinheiro para uma empresa.

Não são todas as debêntures, contudo, que são atreladas ao IPCA. Também estão disponíveis no mercado produtos com retorno prefixado, com taxa definida no momento da aplicação, e pós-fixados, atrelados à Selic.

Nesta modalidade de investimento, o cliente pode acompanhar as ofertas de subscrição de debêntures junto com seu assessor de finanças, que analisa a classificação de risco do título e a situação financeira da empresa ao recomendar.

Fundos imobiliários

Está se tornando o queridinho na carteira dos investidores brasileiros, em meio a um cenário de juros na mínima histórica. E diante da alta da inflação, FIIs voltados para renda e que possuem, no portfólio, ativos com contratos de aluguel atrelados ao IPCA e ao IGP-M podem se beneficiar desse cenário.

"É importante que o investidor destrinche a carteira, de forma a entender no que está investindo e escolher o melhor mercado para estar posicionado. É preciso ficar de olho, contudo, na alta da Selic no próximo ano, que pode tirar parte da atratividade dos produtos", aponta.

As boas opções, segundo ele, são os fundos imobiliários de papel, que possuem na carteira papéis de renda fixa como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Letras de Crédito Imobiliário (LCIs).