É hora de falar com as crianças sobre coletividade

31/03/2020

Com o isolamento social, provocado pela pandemia do novo coronavírus, pais tem a oportunidade de explorar alguns conceitos com os pequenos

Senso de coletividade, união, respeito, empatia. Esses termos e muitos outros já se tornaram assuntos de extensos debates, em diversas ocasiões, especialmente, nos tempos atuais. Mas, com a pandemia ocasionada pelo novo coronavirus (COVID-19) e o isolamento social, determinado pelas autoridades de saúde, eles podem ser trabalhados pelas famílias com crianças e adolescentes, usando alguns exemplos práticos, diante da situação.

O mais em voga neste momento, dentre todos os conceitos, é o senso de coletividade. Afinal, se o momento exige que as pessoas, que podem, procurem permanecer em casa é exatamente pensando em proteger a maior parte da população para que o vírus não se espalhe e tome grandes proporções. De acordo com o fundador e CEO do MundoemCores.com - uma escola de pais online - Rodrigo Quintão, a oportunidade é ideal, tanto para explorar isso em conversas, quanto para explicar o motivo desta situação.

"Para conseguir falar deste processo para os pequenos, temos que usar outro termo: empatia. Para nós, é difícil conciliar a atenção entre a família e o home office, que muitas pessoas estão fazendo neste momento. Mas, como pais, também temos que nos colocar no lugar dos filhos e entender que para eles não é fácil se afastar dos amigos, da escola, não visitar os avós e passar por outras privações necessárias neste período. Mesmo assim, com um pouco de conversa podemos mostrar que tudo isso que está acontecendo é para um bem maior e para proteger justamente essas pessoas que eles estão afastados e tantas outras também, que eles podem nem conhecer", orienta.

Além deste olhar sobre a situação em si, o tempo de convivência maior pode ajudar a estimular as crianças para a importância de dividir e ajudar os adultos nas atividades domésticas. "Muitas escolas, inclusive, tem incentivado esta prática com orientações sobre os tipos de tarefas recomendadas para cada idade, por exemplo. Até mesmo para otimizar o tempo dos pequenos, tirar do tédio e aproximar a relação familiar, já que, geralmente, muitos pais limpam e cozinham sozinhos, enquanto as crianças brincam, estudam e se divertem", compara.

Como superar a distância?

Amigos da escola, do condomínio, das aulas de esporte ou de idiomas e os familiares. A rede de contatos entre as crianças está cada vez maior e elas sentem muita falta de conviver com estes grupos e outros, que podem existir. Por isso, é importante também estimular esta união, especialmente num momento em que todos estão tão fragilizados emocionalmente com as notícias da pandemia pelo mundo.

Por isso, Rodrigo Quintão orienta para que a tecnologia seja usada em favor dos pequenos. "Da mesma forma em que nos conectamos com os colegas de trabalho e com os parentes, nossos filhos - independente da idade - também precisam seguir com a sua rede de amizades. A ideia, neste caso, é conversar com outros pais e promover alguns encontros online para que eles 'matem a saudade' e possam até mesmo compartilhar e trocar informações sobre como está sendo este momento. Isso pode ser muito enriquecedor nesta situação", indica.