Diga não à gordofobia

16/09/2021

Em um consenso internacional publicado no ano passado pelo periódico científico Nature Medicine, foi pedido o fim do estigma ligado ao excesso de peso. Assinado por mais de 100 instituições, incluindo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), após uma extensa revisão de estudos, foi constatado que o preconceito compromete a saúde destes indivíduos.

A gordofobia é o ato de preconceito referente ao julgamento de pessoas com excesso de peso. De acordo com a endocrinologista e especialista em Medicina Esportiva, Gisele Lorenzoni, durante a pandemia, os casos de aumento de peso foram uma das maiores consequências na população. "As pessoas mudaram sua rotina, não puderam sair de casa por um período, e o ganho de peso foi tendência entre todos", explica. "Assim, quem era obeso ganhou mais peso, e quem estava por pouco, tornou-se, além das pessoas com peso normal que também ganharam alguns quilos a mais", pontua a médica.

Assim, também aumentaram os casos de gordofobia. "O preconceito existe, e no Brasil por ser um país tropical, de clima quente, onde as pessoas mostram mais o corpo, chega a ser cultural o julgamento, os comentários, achando normal que uma pessoa receba críticas quanto ao seu peso, sem realmente saber da realidade de cada um", ressalta Gisele.

Algumas das críticas comuns que ouvimos é que a pessoa com sobrepeso é preguiçosa e descuidada. "É preciso combater este hábito de falar sobre tamanho e forma de outros corpos, isto atrapalha até quem precisa de tratamento", explica a médica. Muitas pessoas obesas deixam de procurar consultórios por sofrer gordofobia, sendo que é necessário o atendimento para a preservação da saúde. "Precisamos acompanhar as taxas destas pessoas, fazer exames completos caso seja preciso iniciar algum tratamento contra diabetes, entre outros", afirma Gisele.

Além disso, a médica alerta para os níveis de ansiedade, depressão, baixa autoestima, isolamento social que desencadeiam a compulsão alimentar.

"É um processo enraizado na população, e não falo aqui só do cidadão comum, e sim, nas classes trabalhadoras, em infraestrutura seja de hospitais, transportes públicos, shoppings, etc", descreve.

Até para procurar emprego, existe o preconceito. Uma pesquisa do Grupo Catho - empresa que classifica candidatos para vagas - identificou que 65% dos presidentes e diretores de empresas tinham alguma restrição na hora de contratar pessoas gordas, segundo matéria do site da revista Exame. "Assim, fica difícil a gente tentar auxiliar no atendimento a estas pessoas que tanto precisam cuidar da saúde", relata a endocrinologista.