Dia Mundial de Combate ao Câncer também marca a evolução no diagnóstico e na luta contra a doença

02/02/2022

Avanços científicos e tecnológicos, principalmente nas últimas décadas, trouxeram novas perspectivas no enfrentamento da doença e têm proporcionado mais qualidade de vida para o paciente oncológico

A data de 04 de fevereiro marca o Dia Mundial de Combate ao Câncer, criado para promover a disseminação de informações sobre a doença, reduzir sua incidência e, principalmente, sua mortalidade. No mundo, são cerca de 18 milhões de casos todos os anos, com aproximadamente 8 milhões de mortes. No Brasil, em 2020, foram 522.212 casos novos e cerca de 260 mil óbitos. Cerca de metade dos casos novos registrados corresponde a câncer de pele.

Mais do que chamar a atenção para a doença, entretanto, a data também serve para mostrar o quando o seu tratamento evoluiu nas últimas décadas. Essa é a avaliação do oncologista clínico da Rede Meridional, Fernando Zamprogno. "As medicações também avançaram e hoje conseguem combater o câncer de formam mais efetiva. Antigamente, o tratamento se resumia praticamente a cirurgias, quimioterapia e radioterapia", comenta.

Uma evolução que continua avançando. Para se ter uma ideia, há pouco mais de 40 anos não havia tratamentos eficazes contra o câncer de pulmão e pessoas diagnosticadas com a doença, em fase avançada, viviam em média quatro meses. Hoje em dia, já existem medicamentos que combatem a doença com muito mais eficiência. Há poucos dias, inclusive, em 10 de janeiro, o FDA nos Estados Unidos (órgão semelhante à ANVISA) aprovou o uso de um novo medicamento contra o câncer de pulmão (o pembrolizumab), que aumenta a chance de cura, após cirurgia para retirada de tumores ainda iniciais. "Até mesmo em tumores mais comuns, como os de pele do tipo basocelular e escamoso, quando inoperáveis ou metastáticos, hoje dispomos de duas drogas muito eficazes no combate, que são o cemiplimab e o vismudegib", afirma.

Segundo ele, a década de 90, principalmente, foi marcada por muitos avanços no campo do conhecimento genético e histológico dos mais diversos tipos de tumores. "Foi quando a primeira molécula desenvolvida por computador chegou ao mercado, causando uma mudança drástica na sobrevida esperada dos pacientes portadores de leucemia crônica", contou. De lá para cá, diversos medicamentos promoveram mudança na história de vários tipos de cânceres, como por exemplo, trastuzumab e pertuzumab, em câncer de mama her-2 positivo e inibidores de ciclina (abemaciclibe, ribociclibe e palbociclibe), em câncer de mama subtipo Luminal.

E boas novidades continuam chegando. De acordo com o oncologista, neste mês de janeiro, a área passou a contar com mais uma droga revolucionária no tratamento do câncer de mama her-2 positivo, em cenário de metástases. "O novo medicamento (Inhertu), já submetido à possibilidade de uso precoce no manejo da doença, deverá gerar grandes impactos em termos de qualidade de vida e tempo de controle deste tipo de câncer", explicou.

Para o especialista, o Inhertu representa mais um avanço no tratamento do câncer e um esforço conjunto de milhares de profissionais que buscam por tratamentos mais efetivo e com menos efeitos colaterais. "O que vimos nessas duas décadas passadas e o que se espera para um futuro breve é mais esperança de dias melhores, mais cura, mais controle. Tudo isso, graças a muito investimento em pesquisas pré-clínicas e clínicas. Quanto mais entendermos como o câncer surge e quais são seus pontos fracos, melhores serão nossos tratamentos no futuro", concluiu.