Desafios encontrados pelas mulheres no comando das startups

25/03/2022

As mulheres têm conquistado cada vez mais espaço em várias áreas no mercado de trabalho, e a representatividade feminina no comando das startups tem avançado, porém ainda em passos lentos.

No Brasil,menos de 5% das startupssão exclusivamente fundadas por mulheres. Esse número chega a 5,1% quando se trata de co-fundadoras, em que a abertura da empresa acontece com um sócio homem. Estes dados foram revelados na primeira edição do estudo "Female Founders Report", realizado pelo Distrito em conjunto com a B2Mamy e a Endeavor. Nele, foram mapeadas 13 mil startups do Brasil.

O estudo também analisou em que setores há mais presença feminina. De acordo com o estudo o maior destaque é para a área de Fashiontech, com o índice de 61%, seguido por mercados de RH & Gestão de Pessoas (26,7%), Negócios Sociais (24,1%) e na Alimentação (22,7%). Em relação às empreendedoras, elas estão concentradas na saúde (15,5%), educação (12,7%) e serviços financeiros (8,2%).

Ou seja, há muito desafios e ocupar esse ecossistema de inovação e tecnologia não é uma tarefa fácil, uma vez que o ambiente é dominado por homens.

Para Yasmin Tessari, 27 anos, Diretora de Marca da Gama Ensino, o maior desafio é conseguir acompanhar o crescimento e a necessidade de novos conhecimentos para implementar no dia a dia, já que o ambiente da empresa é muito dinâmico. "A gente tem que estar sempre inovando e isso requer resiliência para superar desafios e disciplina para estar em constante evolução", conta Yasmin.

"Eu me sinto testada todos os dias para dar o meu melhor. Todos os dias temos que aprender com nossos erros, entender que eles fazem parte da nossa trajetória e ter a mente sempre em busca de soluções. Isso requer um nível alto de maturidade que faz com que avancemos em nível profissional e principalmente junto a Gama", explica a diretora de marca.

Mulheres, no geral, precisam provar mais que homens para ganharem espaços de lideranças e cargos altos nas empresas. Lidia Frisso, de 27 anos, é diretora de gestão de pessoas da startup de educação conta que já passou por situações em que precisou se impor mais que o normal ou contar mais sobre as suas realizações para conquistar confiança e me sentir mais confortável para continuar a conversa.

"Vejo inúmeros relatos de mulheres que passaram por situações bem negativas, como precisar ter jornadas duplas ou até triplas para se manterem visíveis e confiantes ou que passaram por situações de assédio no ambiente de trabalho, e por aí vão várias histórias negativas de problemas que nós mulheres enfrentamos. Vejo que, normalmente, mulheres são mais testadas no dia a dia, e precisam se impor mais para se sentirem confortáveis na hora de expressar suas opiniões", comenta Frisso.

Representatividade feminina

Um dos maiores desafios atuais é a falta de representatividade de lideranças femininas em grandes cargos nas empresas. Lidia Frisso, de 27 anos, é diretora de gestão de pessoas de uma startup de educação. Ela conta que durante a sua trajetória teve contato com executivas que as inspiraram, porém quando observa e analisa o cenário de grandes empresas, nota que os cargos de lideranças são ocupados majoritariamente por homens. "Sinto falta de mais representatividade feminina nos ambientes corporativos e ter mais grandes referências inspiradoras. Vejo sempre muitos rostos e histórias de mulheres que me inspiraram muito, mas ainda precisamos de mais histórias e de mais exemplos de mulheres que ocuparam os seus espaços e tiveram grandes conquistas empresariais".

Para Yasmin Tessari esse cenário tende a mudar no futuro. "Hoje, na Gama, grande parte dos nossos colaboradores são mulheres, inclusive algumas ocupando cargos de liderança. Então as mulheres estão conseguindo ganhar um espaço. Obviamente ainda existe alguns estigmas com relação às mulheres que nós precisamos quebrar. E cabe a nós, no nosso papel de liderança feminina, mostrar que podemos sim ter pulso firme, podemos nos posicionar, podemos dialogar de forma inteligente".

Quanto mais mulheres tiverem a oportunidade e espaço nesse meio corporativo, mais referências e inspirações irão surgir levando as profissionais a ocuparem esse lugar e podem sim sentar à mesa.

*Impacto positivo*

Outro ponto revelado pelo estudo é o impacto positivo causado por mulheres líderes nos ambientes em que atuam. Quando há mulheres dentro destes negócios, o ambiente tende a ter resultados 25% melhores. Nilton Sagrilo, jovem fundador da edtech Gama Ensino, de 26 anos, conta em seu quadro de colaboradores com 45% de mulheres, assumindo cargos de gestão. Para ele, a presença feminina na empresa impacta positivamente. "Acredito que hoje, em um país onde as lideranças infelizmente são majoritariamente masculinas, o impacto mais importante da presença feminina em cargos de lideranças é sobretudo ser uma inspiração para que outras mulheres vejam que é possível alcançar cada vez mais esses cargos. E firmar que a posição de liderança não tem nada a ver com sexo, mas sim com atitude".

Diferentemente das empresas tradicionais, as startups são empresas com ciclos muito mais rápidos. E justamente por conta dessa velocidade de crescimento e propulsão, trabalhar em uma startup é uma das melhores formas de crescer e se desenvolver mais rápido. "Mais lideranças femininas em startups, significa mais lideranças femininas inovando, alcançando novos patamares de gestão, novos cargos, e construindo novos legados que em um futuro próximo servirão de exemplo para incentivar mais mulheres a trilharem esse caminho", acredita Nilton Sagrilo.