Caso Fiuk faz um alerta: Transtorno de Déficit de Atenção não é só coisa de criança

Pedagoga especialista em transtornos explica a doença, fala sobre a importância do diagnóstico precoce, tratamento e acompanhamento

O transtorno TDAH - Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade ganhou uma visibilidade ainda maior nas últimas semanas após o ator, cantor e atual BBB 21 Fiuk (foto de Lari Marques) anunciar que possui a condição e que foi vítima de bullying na época de escola. Segundo a pedagoga e especialista em transtornos infantis Claudia Laet, o cantor apresenta sinais característicos da disfunção como desatenção, dificuldade para dormir, de concentração, de seguir regras como das provas do programa, que aliás acabou sendo desclassificado poucos segundos depois de uma das provas começar.

A pedagoga explica que o TDAH é um transtorno neurobiológico crônico caracterizado não só por esses sinais, mas por muitos outros como ansiedade, inquietação, e que muitos ainda acham que é uma condição que afeta apenas crianças, mas não é verdade. De acordo com o Instituto Brasileiro do Déficit de Atenção, 3 a 5% das crianças do mundo têm o transtorno e em metade dos casos ele acompanha os indivíduos na fase adulta. E dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que cerca de 4% da população adulta mundial têm o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Só no Brasil, são aproximadamente 2 milhões de pessoas adultas.

"É importante frisar que diagnósticos precoces corretos ajudam a salvar alunos com dificuldades escolares, especialmente poupá-los de consequências como a introversão, a baixa autoestima e o bullying, que podem surgir a partir do desempenho insatisfatório na escola. A terapia pedagógica se torna fundamental no processo de tratamento, pois traça as diretrizes corretas de forma individualizada", destaca Laet.

A especialista explica que muitas crianças realizam tratamento durante anos e depois não necessitam mais de medicamentos e outras intervenções na fase adulta. Porém, há muitos casos em que a pessoa irá conviver com o transtorno o resto da vida e por isso a importância de um acompanhamento e tratamento adequado, o que se revela como sendo o caso do cantor Fiuk.

Ao que foi relatado na imprensa pela equipe do cantor, ele está sem tomar os medicamentos, e talvez, por isso, tem apresentado determinados sinais que chamaram a atenção de quem está convivendo com ele dentro da casa e até mesmo do telespectador.

Segundo Claudia, terapia e medicação contribuem para amenizar os efeitos dos transtornos. Sem ambos, os sinais característicos da disfunção se tornam mais evidentes, principalmente se a pessoa estiver exposta a situações como pressão emocional, psicológica, como é o caso de Fiuk que aceitou participar do reality show que isola as pessoas do mundo real e virtual, e o coloca em convivência com outras poucas pessoas estranhas em uma realidade de competitividade diária, intrigas, discussões.

"Sem dúvidas, sem a medicação diária que ameniza os sinais do transtorno no cantor, e com toda a pressão que o reality impõe, ele está demonstrando mais vulnerabilidade e seu psicológico está mais frágil, por isso demonstra abatimento físico, choro, insônia. Se ele continuar mais tempo dentro da casa e sem os medicamentos, provavelmente esses sinais ficarão ainda mais evidentes e outros podem surgir", explica a pedagoga. Foto de Bruno Menezes.