Asco 2024: estudo mostra que vacina contra o HPV é eficaz na prevenção de diversos tipos de câncer

10/06/2024

Nos homens, imunizante demonstrouuma menor probabilidade de desenvolver tumores de cabeça e pescoço; Oncologista da Oncoclínicas comenta cenário da vacinação no Brasil

Um estudo apresentado no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), que acontece até o dia 4 de junho, aponta que a vacina contra o papilomavírus humano (HPV) pode ser eficaz também em outros tipos de câncer causados pelo vírus. A pesquisa "Effects of HPV vaccination on development of HPV-related cancers: A retrospective analysis of a United States-based cohort" (ABSTRACT#: 10507) é um dos importantes destaques do congresso.

De acordo com Jefferson DeKlow, autor principal do estudo pela Universidade Thomas Jefferson, a pesquisa "soma um conjunto crescente de evidências que demonstram a diminuição das taxas de câncer relacionadas ao HPV entre pessoas que receberam o imunizante".

O HPV, em quase 99% dos casos, é o principal causador do câncer do colo do útero. Contudo, novos dados mostram que, principalmente nos homens, o imunizante é eficaz na prevenção do câncer de cabeça e pescoço. Além disso, pode atuar em casos de câncer anal, pênis, vagina e vulva. Vale lembrar ainda que o estudo verifica também o impacto da vacina para o tratamento cirúrgico de tumores e lesões precursoras.

"No Brasil, a tetravalente contra o HPV, que está disponível gratuitamente para meninas e meninos de 9-14 anos, e para adultos imunossuprimidos até 45 anos, protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do vírus, os principais causadores do câncer do colo do útero. É preocupante para todos ver esse tipo de tumor avançando quando sabemos que ele é altamente prevenível", comenta Marcela Bonalumi, oncologista da Oncoclínicas&Co.

Entenda como o estudo foi realizado

Dentre um total de 5.458.987 pacientes, 949.249 deles foram vacinados contra o HPV. Destes, 55% são mulheres, 51% brancos, 22% negros/afro-americanos, 5% asiáticos, 0,5% índios americanos ou nativos do Alasca, 0,4% nativos do Havaí ou de outras ilhas do Pacífico e 21% de outra raça ou etnia desconhecida.

Os achados no estudo mostraram que 760.540 homens vacinados contra o HPV tiveram uma menor probabilidade de desenvolver tumores relacionados ao vírus, principalmente de cabeça e pescoço. Já as mulheres imunizadas, representando 945.999, apresentaram uma menor chance de desenvolver câncer cervical e tumores relacionados ao HPV no geral.

Contudo, a pesquisa mostra que, no caso das mulheres, a probabilidade de ter câncer de cabeça e pescoço ou câncer vulvar e vaginal não são significativamente diferentes daquelas que não receberam o imunizante.

Próximos passos

Dando sequência à pesquisa, as análises contarão ainda com a participação de pessoas com mais de 39 anos, que receberam a vacina contra o HPV. É esperado que sejam observados resultados baseados na faixa etária no momento da vacinação, além do tempo em que o paciente recebeu a vacina até o desenvolvimento do câncer e ainda quais grupos possuem uma menor probabilidade de receberem o imunizante contra o vírus.

O cenário do HPV no Brasil

Há exatos dez anos, a vacinação contra o HPV entrou para o calendário oficial da população brasileira, contudo, as taxas de imunização têm caído cada vez mais no país, o que vem levantando preocupações em todas as esferas da saúde e da sociedade brasileira. De acordo com dados recolhidos pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA) no DataSUS, do Ministério da Saúde, houve queda de 72% da aplicação em meninas e 52% em meninos, nos períodos de 2015 a 2021 e 2018 a 2021, respectivamente.

A taxa de infecção pelo HPV atinge 54,4% das mulheres que já iniciaram a vida sexual e 41,6% dos homens. Os resultados são da pesquisa nacional sobre o tema, encomendada pelo Ministério da Saúde e feita por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS). Apesar disso, em 2022, entre as meninas, a primeira e a segunda dose tiveram, respectivamente, 75,91% e 57,44% de adesão. Entre os garotos, os valores são ainda menores: 52,26% na primeira aplicação e 36,59% na segunda.

"A imunização pode prevenir também o câncer de vulva, ânus e vagina nas mulheres e de pênis nos homens. Por isso, o ideal é que esse cuidado ocorra antes do início da vida sexual", complementa a oncologista da Oncoclínicas, que apresentará o estudo "Efficacy of niraparib in patients with advanced ovarian cancer: A meta-analysis of randomized controlled trials" (ABSTRACT #: 5587 / POSTER BD #: 458) na Asco 2024.

Oncoclínicas na ASCO 2024

Assim como em outros anos, a Oncoclínicas&Co, um dos maiores grupos especializados no tratamento do câncer da América Latina, é destaque na ASCO 2024 com 37 participações. A presença brasileira conta com apresentação oral e em pôsteres, e também em sessões como painelistas e debatedores.

"A pesquisa clínica e a educação são instrumentos essenciais para tornar a saúde acessível a todos, independentemente dos limites territoriais. A Oncoclínicas vem avançando a passos largos para, de fato, contribuir nessa equação. Nesta edição da ASCO, contaremos com uma delegação de mais de 100 especialistas, que compartilharão conhecimento com a comunidade oncológica mundial na busca pelas melhores alternativas de cuidado para vencer o câncer", afirma Bruno Ferrari, fundador e CEO da Oncoclínicas&Co.

Além disso, pela primeira vez a companhia contará com um stand na área de expositores do evento, um espaço dedicado a compartilhar avanços científicos e promover a interação direta com principais tomadores de decisão e influenciadores do setor. "O fortalecimento da nossa presença na ASCO 2024 é mais um passo que possibilita a formação de parcerias que podem acelerar o desenvolvimento e a implementação de novas frentes de combate à doença, beneficiando amplamente os nossos pacientes", finaliza.

Sobre a Oncoclínicas&Co

A Oncoclínicas&Co. - maior grupo dedicado ao tratamento do câncer na América Latina - tem um modelo especializado e inovador focado em toda a jornada do tratamento oncológico, aliando eficiência operacional, atendimento humanizado e especialização, por meio de um corpo clínico composto por mais de 2.700 médicos especialistas com ênfase em oncologia. Com a missão de democratizar o tratamento oncológico no país, oferece um sistema completo de atuação composto por clínicas ambulatoriais integradas a cancer centers de alta complexidade. Atualmente possui 145 unidades em 39 cidades brasileiras, permitindo acesso ao tratamento oncológico em todas as regiões que atua, com padrão de qualidade dos melhores centros de referência mundiais no tratamento do câncer.

Com tecnologia, medicina de precisão e genômica, a Oncoclínicas traz resultados efetivos e acesso ao tratamento oncológico, realizando aproximadamente 635 mil tratamentos nos últimos 12 meses. É parceira exclusiva no Brasil do Dana-Farber Cancer Institute, afiliado à Faculdade de Medicina de Harvard, um dos mais reconhecidos centros de pesquisa e tratamento de câncer no mundo. Possui a Boston Lighthouse Innovation, empresa especializada em bioinformática, sediada em Cambridge, Estados Unidos, e participação societária na MedSir, empresa espanhola dedicada ao desenvolvimento e gestão de ensaios clínicos para pesquisas independentes sobre o câncer. A companhia também desenvolve projetos em colaboração com o Weizmann Institute of Science, em Israel, uma das mais prestigiadas instituições multidisciplinares de ciência e de pesquisa do mundo, tendo Bruno Ferrari, fundador e CEO da Oncoclínicas, como membro de seu board internacional. Além disso, a Oncoclínicas passou a integrar a carteira do IDIVERSA, índice recém lançado pela B3, a bolsa de valores do Brasil, que destaca o desempenho de empresas comprometidas com a diversidade de gênero e raça.

Para obter mais informações, visite https://www.grupooncoclinicas.com