Ações no exterior viram queridinhas de investidores brasileiros

24/06/2021

No primeiro trimestre, os investimentos neste formato já somam metade de todo o resultado de 2020

Ações compradas diretamente no exterior, fundos que investem lá fora e recibos de ações estrangeiras (BDRs) e fundos de índice internacionais. Além de mais acessíveis, estes formatos de investimento no exterior também estão em alta devido ao cenário crescente de incertezas no Brasil e a baixa taxa de juros. Os investimentos líquidos dos brasileiros em ações no exterior (critério que considera as compras menos as vendas), por exemplo, já somam - apenas no primeiro trimestre neste ano - metade de todo o resultado de 2020, tanto em reais quanto em dólares.

De acordo com o economista e sócio da Golden Investimentos, Thomas Giuberti, esse movimento pode ser observado em várias categorias de investimentos dos brasileiros em ativos financeiros de outros países. "Quando se tinha uma taxa de juros em 14% ao ano, como em 2016, só se pensava em CDI, o índice de referência para renda fixa que acompanha a Selic. Com o juro em 3,5% ao ano e que poderá subir na próxima semana, começaram a perceber que o CDI estava com uma menor rentabilidade, fazendo com que as pessoas buscassem outras alternativas", comenta

Segundo dados do Banco Central, foram US$ 1,57 bilhões de investimento líquido de brasileiros em ações no exterior, de janeiro a março deste ano, ante US$ 3,08 bilhões no ano passado. Na moeda brasileira, são R$ 8,65 bilhões em 2021 contra R$ 16,02 bilhões em todo o ano de 2020, e que por sua vez equivalia a oito vezes a remessa de R$ 1,99 bilhões realizada em 2019.

Os investimentos de brasileiros no exterior nos últimos 12 meses já correspondem a mais de um terço de todo o estoque aplicado nos conservadores títulos do Tesouro Direto. "E não são apenas as empresas estrangeiras o foco desses investidores, que também se interessam nas companhias brasileiras que abriram capital em bolsas do Estados Unidos. Este foi o caso de PagSeguro, Stone e XP, por exemplo, que por serem bem conhecidas por aqui passam também a ter uma certa prioridade", diz Thomas Giuberti, que aposta numa continuidade do movimento forte de internacionalização dos investimentos em 2022 e 2023.

Opção mais acessível
Dentre as novidades neste mercado internacional, está o Brazilian Depositary Receipt (BDR), que é um certificado de depósito emitido e negociado no Brasil que representa ações de empresas listadas em bolsas de outros países - como na NASDAQ, dos Estados Unidos.

Ela se tornou um investimento de acesso mais fácil para qualquer investidor - independentemente da quantidade de dinheiro aplicado. "Neste momento, é um tipo de investimento que vale a pena pelo ativo ser em dólar e com a queda da moeda americana, esta pode ser uma boa oportunidade para comprar", sugere.