VIII Simpósio Brasileiro de Doença Falciforme em Vitória

Publicado em 24/09/2015 às 10h39

Médicos e pesquisadores nacionais e internacionais estarão na capital capixaba em grande evento de saúde, que tratará de doença de grande impacto social, político e econômico

 

O Espírito Santo vai sediar o VIII Simpósio Brasileiro de Doença Falciforme (DF), que se realizará entre 5 e 7 de novembro próximo, no Centro de Convenções de Vitória, capital do estado. Trata-se de um evento de saúde sobre uma doença que tem grande impacto político, econômico e social. A razão disso está no fato de que a DF se caracteriza como uma enfermidade crônica, genética e hereditária. Tem origem milenar na África e resultou de uma mutação nas hemácias de povos daquele continente. Essas hemácias, em lugar do formato redondo, adquiriram a feição de uma foice – daí o nome da doença, falciforme –, que vem do inglês sickle (foice), haja vista que a sua descoberta por pesquisadores ocorreu nos EUA, há pouco mais de cem anos.

A doença chegou ao Brasil com a escravidão de negros africanos, que ocorreu aqui ao longo de séculos, e tem como grupo-alvo seus descendentes, portanto, o contingente de afrodescendentes, que já ultrapassa 50% da população nacional. Admite-se que existam, hoje, no Brasil, mais de 50 mil pessoas com DF. Na Bahia, em cada 650 crianças nascidas vivas, uma tem a doença. Em cada 17 delas, uma nasce com traço falciforme. A pessoa que nasce com esta característica genética, o traço falciforme, é saudável.  E as famílias têm direito a orientação e ao aconselhamento genético.

O Espírito Santo, que já conta uma população de pardos e negros de 57%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é um dos estados brasileiros onde mais a doença incide. A relação é de 1.1800, ou seja, nasce por ano uma criança com a doença entre cada 1.800 nascidos vivos. É exatamente pelo fato de a DF ser prevalente nesse grupo étnico, os afrodescendentes, que ela precisa ser considerada pelo impacto político, econômico e social que provoca. É um grupo social de menor poder aquisitivo e com o qual a sociedade brasileira tem uma dívida histórica, em função da escravidão.

Por esse motivo, o país, depois de ampla atuação do Movimento Negro, entendeu que a DF deveria ser tratada pela via de uma política compensatória de saúde. Desse modo, o Ministério da Saúde (MS) instituiu, em 2005, a Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme (PNDF). A partir de 2015, essa política de saúde pública já dispõe de toda a normatização oficial necessária no Sistema Único de Saúde (SUS), para que as pessoas com essa enfermidade e as suas famílias tenham atenção e cuidado especiais, ofertados segundo uma visão multidisciplinar e multiprofissional, cobrindo todas as áreas do conhecimento indispensáveis para que possam ter vida mais longa e de melhor qualidade.

O VIII Simpósio de Doença Falciforme – uma parceria do Ministério da Saúde com a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), a Secretaria Estadual de Saúde do Espírito Santo, a Secretaria Municipal de Saúde de Vitória e a Federação Nacional das Associações de Pessoas com Doenças Falciformes (Fenafal) – será um grande passo para agregar multidisciplinarmente os saberes, as pesquisas e as questões que permeiam a atenção às pessoas com a doença. O evento vai aprofundar exatamente o conceito de redes de atenção à saúde no âmbito do SUS. Uma doença como a DF exige atendimento em rede, e entre os desafios para o aprimoramento desse conceito está a qualificação dos trabalhadores do SUS para conhecer, identificar e cuidar das pessoas com DF. O Ministério da Saúde reconhece a necessidade de investimentos e esforços para que o SUS saiba acolher em todos os níveis as pessoas com essa enfermidade.

O simpósio terá na presidência geral a médica capixaba Cecília Figueira, da UFES, oncologista e estudiosa da DF. A capital capixaba foi escolhida para sediar o evento no encerramento do simpósio anterior realizado em Salvador, BA, em 2013. O comitê científico será presidido pelo médico Paulo Ivo Cortez de Araújo, hematologista do Instituto de Pediatria e Puericultura Martagão Gesteira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPMG/UFRJ), especialista em DF e assessor do MS. Médicos, pesquisadores, trabalhadores do SUS, representantes dos usuários dos estados e outros profissionais de saúde do país e do exterior participarão do evento. No dia 3, a Fenafal realizará, no mesmo espaço do simpósio, mais um Encontro Nacional das Associações e Grupos de Pessoas com Doença Falciforme (Enafal).

As inscrições para participação devem ser feitas no site do próprio evento (www.8simposiodoencafalciforme.com.br).

 

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